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2016

Reciclagem em shopping centers: como lidar com esse desafio

Por Elizabeth Morita

A relação entre produção de lixo e taxa de reciclagem no Brasil ainda é uma questão delicada. Das 240 mil toneladas de lixo geradas diariamente no território brasileiro, apenas 3% são recicladas. Com a Política de Resíduos Sólidos, instituída pelo Governo Federal em 2012, este cenário tende a melhorar, mas ainda depende de políticas públicas, iniciativa privada e adesão da sociedade em geral.

A produção de lixo no país cresce em uma velocidade inversamente proporcional à vida útil dos aterros sanitários. No médio e longo prazo, as organizações mais bem preparadas serão as que melhor darão respostas ao “apagão” destes espaços, criando soluções inteligentes e ambientalmente corretas para destinar os resíduos gerados em suas dependências.

Dentre os impactos ambientais inerentes à atividade da indústria de shopping centers, a gestão correta de resíduos é uma questão muito relevante. Quando abordamos a realidade dos centros de compras, estamos falando de uma grande estrutura que, em alguns casos, pode abrigar quase 400 operações, receber cerca de 20 milhões de visitas em um ano e que pode gerar até 17 toneladas de lixo por dia. Todos esses números apenas reforçam a importância e a necessidade dos shoppings investirem em políticas ambientais que orientem o descarte correto dos resíduos gerados pelas lojas, funcionários e visitantes.

Seguir normas de qualidade, buscar alternativas inteligentes e usufruir da experiência de outros países são formas de alcançar resultados muito positivos. Seguindo estes passos, por exemplo, o Parque D. Pedro, em Campinas, gera 1,6 tonelada por dia de cascas de frutas que são destinadas à compostagem, e gera também 322 litros de óleo de cozinha diariamente que são destinados à fabricação de massa de vidro; o Shopping Metrópole, em São Bernardo do Campo, iniciou em 2014 o envio de copos de papel à compostagem e, em seis meses, reciclou mais de 3,5 toneladas, equivalente a 321 mil copos reciclados; e o Boulevard Londrina Shopping já foi inaugurado com uma central de entrega voluntária de resíduos para a comunidade local.

A política de gestão de resíduos da Sonae Sierra Brasil faz parte de uma Política Ambiental da companhia e, desde 2004, a empresa publica o balanço sócio econômico ambiental nos moldes do GRI (Global Reporting Initiative). A gestão de resíduos sólidos, bem como os demais aspectos ambientais das atividades, faz parte de um Sistema de Gestão Ambiental, certificado pela norma ISO 14001:2004, o que significa que as atividades são periodicamente auditadas, cumprem com a legislação vigente e são “desafiadas” a uma melhoria contínua.

Para garantir o sucesso deste trabalho, é fundamental investir no engajamento dos lojistas, prestadores de serviços e visitantes de forma que os resíduos sejam separados seletivamente na fonte, além de promover treinamentos, concursos e campanhas de conscientização. E todo esse esforço já rende resultados importantes: o Shopping Metrópole já alcançou a taxa de 80% de reciclagem; o Parque D. Pedro Shopping já recicla 64% do total gerado; o Boulevard Londrina Shopping tem taxa de 55% e o Shopping Plaza Sul em São Paulo tem taxa de reciclagem de 50%.

Apesar das ações que já são feitas, sabemos que sempre é possível melhorar e alcançar novas formas de ser mais responsável e cuidar do ambiente que ficará para as próximas gerações. Aumentar pontos de entrega voluntária e aprofundar os estudos para processamento dos resíduos nos próprios shoppings, considerando inclusive a recuperação energética, são formas de contribuir com um mundo mais limpo e consciente.

*Elizabeth Morita é gerente de Segurança & Saúde e Meio Ambiente da Sonae Sierra Brasil, empresa especialista em shopping centers.